
Rentabilidade de Aluguel: Como Calcular a Lucratividade Real do Seu Imóvel
Aprenda a calcular a rentabilidade de aluguel passo a passo, descubra qual é um bom percentual ao mês e como aumentar a lucratividade do seu imóvel.
17 de agosto de 2026
27 de julho de 2026
Sim, mas em cenários específicos — não como regra universal. Comprar um imóvel para alugar faz sentido quando você encontra um bom preço de aquisição, em uma região com demanda real por locação, e tem horizonte de longo prazo. Não faz sentido quando o imóvel é caro em relação ao aluguel que ele consegue cobrar, quando a região está saturada de oferta ou quando você precisa do dinheiro em prazo curto.
A conta que decide tudo é a rentabilidade do aluguel — o que o mercado costuma chamar pelo termo em inglês yield —, ou seja, quanto o aluguel representa por mês em relação ao valor do imóvel. No mercado residencial brasileiro, os índices de locação acompanhados pelo setor apontam, de forma aproximada, uma rentabilidade bruta entre 0,3% e 0,6% ao mês (algo perto de 4% a 7% ao ano) nas principais capitais. Studios e imóveis compactos bem localizados costumam ficar na parte de cima dessa faixa; apartamentos grandes e de alto padrão, na parte de baixo.
É importante separar duas fontes de retorno:
Quando o investimento tende a ser ruim? Imóvel comprado acima do valor de mercado (muito comum em lançamentos), bairro com excesso de unidades novas em oferta, condomínio com taxa altíssima que come parte do aluguel e imóveis de perfil muito específico, que ficam meses vagos.
A fórmula da rentabilidade bruta é simples:
(aluguel anual ÷ valor do imóvel) × 100
Mas a rentabilidade bruta engana. O número que importa é a rentabilidade líquida, que desconta custos recorrentes, taxa de administração, impostos e — principalmente — a vacância esperada.
Imóvel de R$ 400.000 alugado por R$ 2.000 por mês:
Receita bruta anual: R$ 24.000. Custos: cerca de R$ 8.100. Sobram R$ 15.900, o que dá uma rentabilidade líquida de aproximadamente 3,97% ao ano — ou 0,33% ao mês. Ainda antes do Imposto de Renda.
Perceba a diferença: a rentabilidade caiu de 0,5% para 0,33% ao mês só ao considerar a realidade operacional. É aqui que a maioria dos investidores iniciantes se engana.
O retorno total, no entanto, soma a valorização. Se o imóvel se valorizar em linha com a inflação (algo próximo de 4% ao ano em cenários normais), o retorno total ficaria perto de 8% ao ano — competitivo, mas dependente de um cenário favorável de mercado. Já houve períodos, entre 2015 e 2019, em que imóveis em várias capitais brasileiras ficaram anos sem repor a inflação.
Na compra, some de 4% a 5% do valor do imóvel em despesas: ITBI (geralmente 2% a 3%, variando por município), escritura em cartório e registro no Registro de Imóveis. Em um imóvel de R$ 400 mil, isso significa algo entre R$ 16 mil e R$ 20 mil que não entram no seu patrimônio — são custo puro e precisam ser incluídos no cálculo do retorno.
O aluguel recebido por pessoa física é tributado pela tabela progressiva do IRPF, com alíquotas que vão de 7,5% a 27,5%, e deve ser pago mensalmente via carnê-leão (DARF código 0190). Há isenção para valores mensais abaixo do limite da primeira faixa da tabela — quem recebe apenas um aluguel modesto pode ficar isento, mas quem tem outras rendas normalmente cai nas faixas mais altas.
Algumas despesas podem ser abatidas da base de cálculo quando são de responsabilidade do proprietário, como IPTU, condomínio e taxa de administração. Vale confirmar sua situação com um contador.
Em cenários de Selic elevada, como o que o Brasil viveu em vários momentos recentes, a renda fixa pura pode entregar retorno nominal semelhante à rentabilidade líquida de um imóvel — com liquidez diária e zero trabalho de gestão. Isso não invalida o imóvel, mas exige honestidade na comparação.
| Critério | Imóvel físico | Renda fixa (Tesouro Selic/CDB) | Fundos imobiliários |
|---|---|---|---|
| Retorno típico | 0,3% a 0,5% líquido/mês + valorização | Acompanha o CDI | Rendimento de dividendos comum entre 0,6% e 0,9%/mês |
| Liquidez | Baixa (meses) | Alta (D+0/D+1) | Alta (D+2) |
| Tributação | IR progressivo sobre aluguel | IR de 15% a 22,5% sobre o rendimento | Dividendos isentos para PF (regras vigentes); 20% no ganho de venda |
| Custo de entrada | Alto (dezenas ou centenas de milhares) | A partir de R$ 30 | A partir de ~R$ 10 por cota |
| Gestão | Intensa (inquilino, reparos, contratos) | Nenhuma | Nenhuma |
| Alavancagem | Sim, via financiamento | Não | Não |
O imóvel físico ganha em três frentes que nenhuma aplicação financeira oferece: alavancagem (você compra R$ 500 mil de patrimônio com R$ 100 mil de entrada), controle (você decide reformar, mudar o preço, vender) e uso próprio (o ativo pode servir para morar, para um filho ou como garantia de crédito). Além disso, o aluguel é reajustado por índices de inflação, o que protege o poder de compra da renda.
Os critérios que mais influenciam o resultado, em ordem de importância: proximidade de transporte público, geradores de demanda (universidade, hospital, polo empresarial), infraestrutura do entorno e taxa de condomínio compatível com o aluguel.
A alavancagem funciona quando a valorização somada ao aluguel supera o custo do financiamento. Com juros de financiamento imobiliário praticados na faixa aproximada de 10% a 12% ao ano + TR nas linhas de mercado, essa conta é difícil de fechar apenas com o aluguel — o custo da dívida costuma ser maior que a rentabilidade do aluguel.
Imóvel de R$ 400 mil, entrada de 30% (R$ 120 mil), financiando R$ 280 mil em 30 anos pela tabela SAC:
Ou seja: no começo, o aluguel não cobre a parcela. Isso não é necessariamente um erro — você está construindo patrimônio com aporte mensal reduzido —, mas é essencial saber que o imóvel financiado tende a ser um investimento de fluxo de caixa negativo nos primeiros anos. Na SAC, as parcelas caem com o tempo e, em algum ponto, o aluguel reajustado passa a cobrir a prestação.
Estratégia comum e eficiente: usar 100% do aluguel para amortizar antecipadamente o saldo devedor, reduzindo prazo e juros totais. Quem faz isso de forma disciplinada consegue quitar em bem menos que 30 anos.
Vale a pena se você:
Sinais de que o negócio não fecha:
Passos práticos antes de comprar: pesquise pelo menos 15 anúncios de aluguel do mesmo tipo de imóvel na mesma região para estimar o aluguel real (e não o desejado); levante IPTU e condomínio exatos; calcule a rentabilidade líquida com 1 mês de vacância por ano; verifique a documentação do imóvel e do vendedor; e negocie o preço — cada 10% de desconto na compra aumenta a rentabilidade em mais de 10%.
Erros que destroem a rentabilidade do iniciante: comprar por impulso em lançamento, ignorar os 5% de custos de aquisição, superestimar o aluguel, esquecer o IR e não reservar dinheiro para manutenção. Investir em imóveis para alugar é um negócio de margens apertadas: a diferença entre um bom e um mau investimento está quase sempre no preço de entrada e na qualidade da conta que você faz antes de assinar.