
Alvará Judicial para Venda de Imóvel: Quando é Necessário e Como Conseguir
Entenda quando o alvará judicial é necessário para vender um imóvel, quais documentos levar, prazos, custos e como fazer o pedido na Justiça.
10 de outubro de 2026

17 de setembro de 2026
Comprar um imóvel no Brasil envolve muito mais do que negociar o preço e assinar um contrato. Antes de bater o martelo, você precisa saber se o vendedor pode, de fato, vender — e se aquele imóvel não vai ser puxado de volta por uma dívida antiga.
Resposta direta: as certidões obrigatórias para lavrar a escritura são poucas (matrícula atualizada, quitação de tributos do imóvel, documentos pessoais e de estado civil, ITBI pago e, em alguns casos, CND). Mas as certidões que realmente protegem o comprador são as certidões pessoais do vendedor — cíveis, fiscais, trabalhistas e de protesto —, que nenhum cartório é obrigado a exigir e que, se ignoradas, podem custar o imóvel inteiro.
A seguir, você vê o que é obrigatório, o que é recomendado, onde emitir, quanto custa e o que fazer quando alguma certidão vem positiva.
No Brasil, o imóvel pode responder por dívidas do antigo proprietário. Se o vendedor tinha uma execução em andamento e vendeu o bem para não pagar o credor, a Justiça pode declarar a venda ineficaz — é a chamada fraude à execução. O comprador perde o imóvel e vira credor de alguém que já provou não ter dinheiro.
Os riscos concretos são:
É importante separar dois grupos de documentos. Existem as certidões que falam do imóvel (matrícula, IPTU, condomínio) e as que falam da pessoa do vendedor (processos, dívidas fiscais, protestos). A maioria dos compradores só olha o primeiro grupo — e é no segundo que mora o perigo.
A Súmula 375 do STJ diz que a fraude à execução exige registro da penhora ou prova de má-fé do adquirente. Já a Lei 13.097/2015, no art. 54, reforçou o chamado princípio da concentração: o que não está averbado na matrícula, em regra, não pode prejudicar o comprador de boa-fé.
Na prática, isso significa que as certidões são a sua prova documental de que você agiu com diligência. Guardá-las, com data próxima à escritura, é o que sustenta a tese de boa-fé em um eventual processo. Sem elas, você fica na defensiva.
Vale registrar a diferença: o tabelião exige o mínimo legal para lavrar a escritura. O comprador precisa exigir bem mais do que isso por conta própria — é a chamada due diligence imobiliária.
Estas são as que praticamente todo cartório de notas vai pedir:
Esse é o bloco que separa uma compra segura de uma aposta. Nenhuma dessas certidões impede a escritura de ser lavrada, mas todas elas podem impedir você de perder o imóvel depois.
Com empresa vendedora, o foco passa a ser quem assina e qual a saúde financeira da sociedade:
| Certidão | Onde emitir | Custo aproximado |
|---|---|---|
| Matrícula atualizada | Registro de Imóveis / portais dos registradores | Paga — em geral R$ 40 a R$ 120 |
| IPTU / tributos municipais | Site da prefeitura | Normalmente gratuita |
| Débitos condominiais | Síndico ou administradora | Gratuita |
| CND federal (Receita/PGFN) | gov.br / Receita Federal | Gratuita |
| CNDT | tst.jus.br | Gratuita |
| Justiça Federal (cível/fiscal/criminal) | Site do TRF da região | Gratuita |
| Distribuição estadual (cível/fiscal) | Site do TJ do estado | Gratuita ou paga, varia por estado |
| Protesto | Tabelionatos de protesto / CENPROT | Costuma ser paga |
| Registro civil (interdição, casamento) | Cartório de registro civil | Paga |
Os valores acima são estimativas e mudam bastante conforme o estado e a tabela de emolumentos do ano. Um pacote completo de certidões para uma pessoa física, em uma única comarca, costuma ficar na faixa de R$ 300 a R$ 800; com mais comarcas e vendedor pessoa jurídica, pode passar de R$ 1.500.
Sobre validade: muitas certidões trazem prazo de 30, 60 ou 90 dias, mas o critério prático de mercado é que estejam com menos de 30 dias na data da escritura. Processos novos são distribuídos todos os dias — uma certidão de três meses atrás não diz nada sobre hoje.
Por fim, peça certidões nas comarcas onde o vendedor morou ou teve sede nos últimos 5 a 10 anos, não só onde ele mora agora. Basta comparar endereços em documentos antigos, contratos e comprovantes.
Existem três resultados possíveis:
Uma certidão positiva não significa, automaticamente, que o negócio deve cair. O que importa é a proporção entre o valor discutido e o patrimônio do vendedor. Uma ação de R$ 15 mil contra quem tem três imóveis é um risco baixo; uma execução fiscal de R$ 800 mil contra quem só tem o imóvel que está vendendo é fraude à execução esperando para acontecer.
Soluções contratuais que funcionam bem:
Desista quando houver penhora averbada na matrícula, indisponibilidade de bens decretada, ou quando a soma das execuções superar claramente o patrimônio do vendedor. Nesses casos, nenhum desconto compensa.
Antes de pagar o sinal, contrate um parecer jurídico de advogado imobiliário. O custo típico de uma due diligence completa gira em torno de 0,5% a 1% do valor do imóvel — barato perto do risco.
Bancos como Caixa, Itaú, Bradesco e Santander fazem análise jurídica antes de liberar o crédito e costumam exigir boa parte dessas certidões. Isso ajuda, mas não substitui a sua diligência: o banco protege a garantia dele (a alienação fiduciária), não o seu direito de propriedade. Se o negócio for anulado, o banco tem instrumentos de cobrança que você não tem.
Na compra à vista ou por contrato particular, o risco é maior justamente porque não há um terceiro conferindo nada. Aí as certidões deixam de ser burocracia e passam a ser sua única proteção.
Situações que pedem cuidado extra:
O corretor organiza, o tabelião confere o mínimo legal e o advogado analisa o risco. Os três papéis são diferentes e não se substituem.
Obrigatórias
Recomendadas 7. Distribuições cíveis e fiscais estaduais (comarca do imóvel e do vendedor); 8. Certidões da Justiça Federal; 9. CNDT e distribuição trabalhista; 10. CND federal conjunta e estadual; 11. Certidão de protesto; 12. Falência e recuperação judicial (PJ); 13. Interdição, tutela e curatela.
Ordem correta: pesquisa prévia antes do sinal → contrato com cláusula condicionando o negócio à regularidade documental → atualização das certidões dias antes da escritura → registro imediato no Registro de Imóveis. Só o registro transfere a propriedade.
Quem paga as certidões? Por costume, as certidões pessoais são providenciadas pelo vendedor e as despesas de escritura, ITBI e registro ficam com o comprador — mas tudo é negociável em contrato.
Dá para dispensar alguma certidão? Tecnicamente, o comprador pode dispensar as recomendadas. Mas isso costuma ser registrado na escritura e enfraquece o argumento de boa-fé.
Quanto tempo leva? Com a maioria das certidões online, de 3 a 10 dias úteis. Comarcas do interior e certidões de protesto podem levar mais.
Certidão é o item mais barato de toda a compra e o único capaz de evitar o prejuízo total. Não economize justamente nele.